A Lei Áurea comemora 132 anos, mas a escravidão ainda não acabou
A Lei Áurea foi um marco na história da escravidão no Brasil, mas esse acontecimento é lembrado de modo excludente e distorcido.
Por: G M Rhaekyrion / 13 de Maio de 2020 às 13:12:35

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A grande data que celebra a liberdade e fim da escravidão foi marcada no dia 13 de maio de 1888, quando a Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel, que dava fim a legalidade do cativeiro de trabalhadores. Levando o país à uma grande festa em comemoração.

Porém, os fatos não se deram tão pacíficos assim e não foram oriundos unicamente do bom ato da nossa princesa. Além disso, a distorção causada por essa ideia acaba por obstruir vários quesitos importantes sobre o que é escravidão hoje em dia.

Sendo assim, A Folha Hoje veio relembrar essa data tão significativa, trazendo algumas revelações sobre a história que nos contam desde criancinhas sobre esse evento. Portanto, venha conferir os mitos contados sobre a abolição.

A abolição foi uma medida da princesa Isabel
A Lei Áurea comemora 132 anos, mas a escravidão ainda não acabou – foto: cursosapientia.com.br

A ideia de que a Lei Áurea foi uma criação da princesa Isabel, que abraçou a causa de libertação dos escravos não é de todo a verdade. Essa visão acaba por excluir figuras abolicionistas importantes para que ocorresse o fim da escravidão.

Então, segundo a professora Angela Alonso, os escravos tiveram papel importante nessa decisão, ao fazerem pressão para as medidas acontecerem. Ou seja, não foi um ato de bondade da nossa princesa.

Portanto, como todas as lutas históricas da humanidade, o fim da escravidão foi uma conquista resultante de uma série de revoltas no interior das fazendas, que foram suprimidas e caladas. Dessa forma, foi um resultado de muita luta.

Houve uma espera de Dom Pedro II para assinar a Lei Áurea

A Lei Áurea comemora 132 anos, mas a escravidão ainda não acabou – foto: memoriasindical.com.br

Decididamente, a abolição poderia ser assinada por qualquer representante no poder, a história sobre adiar essa assinatura para esperar Dom Pedro II é uma distorção, pois a verdade é que havia uma inviabilidade vista pelo governo, que apoiava a elite escravista.

Sendo assim, a questão de que a Lei Áurea foi uma decisão humanista e solidária é totalmente errada, pois a medida foi resultado de muita pressão social, revoltas escravas e rebeliões por parte dos escravos.



Então, vendo o momento como uma oportunidade política para apoiar o Terceiro Reinado, a herdeira usou da abolição para conseguir apoio popular e se consagrar no trono para o novo reinado.

Luta pacífica pela escravidão e apoio dos governantes

A Lei Áurea comemora 132 anos, mas a escravidão ainda não acabou – foto: todamateria.com.br

Primeiramente, é importante ressaltar que a luta contra a escravidão acontecia desde o século 16, mas essa questão só se tornou uma pauta verdadeira a partir de 1850. Além disso, as famílias negras livres também lutavam pela emancipação desde muito antes de se tornar uma pauta econômica do Império.

Dessa forma, podemos dizer que foi muito mais uma questão de desvio de protagonismo, que inclui Luís Gama, José do Patrocínio, André Rebouças e outros negros que batalharam para o fim da escravidão, como nomes ao vento. Mas a verdade é que eles tiveram papel importante para a abolição e o auxílio dos libertos desamparados.

Então, outra coisa que é muito contada foi que os monarcas apoiaram a abolição por humanidade, mas a verdade foi que eles cederam a pressão, temendo uma revolta generalizada, tal qual ocorreu no Haiti, que quebraria a lógica do poder e dominação senhoriais.

Sendo assim, a ideia de que foram os líderes e senhores que começaram esse movimento a favor dos negros é uma ideia distorcida e que exalta um protagonismo de elite branca, totalmente contrário ao que realmente aconteceu.

A abolição aconteceu, mas a escravidão ainda não acabou

A Lei Áurea comemora 132 anos, mas a escravidão ainda não acabou – foto: politize.com.br

O período pós-abolição é totalmente crucial para que entendamos a formação social da sociedade moderna. Pois, os novos emancipados foram largados a própria sorte, sem direitos e submetidos a empregos de baixa remuneração e qualidade.

Ou seja, segundo Luís Felipe de Alencastro, historiador e cientista político, a liberdade em si não aconteceu, visto que não houve um processo de inclusão dos emancipados no âmbito social. Portanto, a luta por reconhecimento e respeito passou a ser a nova bandeira, que é erguida até hoje pela maioria das pessoas negras.

Portanto, colocar os fatos como são e ressaltar o lado real e sofrido que essas pessoas passaram é um passo crucial para o aprendizado e para entender a razão do racismo atual ainda ser presente, que exclui as oportunidades de uma vida digna, mesmo tantos anos depois da abolição.


Postado por: G M Rhaekyrion
Escritora de ficção e fantasia, colunista de site em entretenimento, moda, saúde, beleza e bem-estar. Bióloga por formação, pela Universidade Federal de Alagoas e, eventualmente, faço criticas narratológicas para escritores de ficção.

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