A valorização dos professores e da educação é o segredo de países ricos

A pergunta mais intrigante feita aos países desenvolvidos é: como conseguiram chegar a esse nível? E a resposta, que deveria ser óbvia, é através da educação, da valorização dos professores.
G M Rhaekyrion - 16 de Dezembro de 2019 às 10:26:32
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A pergunta mais intrigante feita aos países desenvolvidos é: como conseguiram chegar a esse nível? E a resposta, que deveria ser óbvia, é através da educação, da valorização dos professores.

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Nos tempos mais remotos da nossa civilização, aquele que transmitia o conhecimento possuía prestígio.


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Entretanto, ao longo dos anos, a educação mudou e sofreu influência da tecnologia, que avança com a velocidade de um furacão.

E no meio desse desenvolvimento muitos países deixaram de lado a importância educacional para valorizar o trabalho e essa escolha pode ser crucial para a qualidade de vida e o próprio desenvolvimento a longo prazo do país.

A valorização dos professores e da educação é o segredo de países ricos
(acebqualifica.org.br)

É comum aqui no Brasil considerar a profissão de professor como um emprego onde se trabalha demais e ganha pouco e não existe respeito.

Ser professor no Brasil é um desafio, principalmente por exigir muita qualificação e as qualidades de trabalho, valorização e salário não acompanham essa crescente cobrança.

Observar países como a Finlândia, o Vietnã, o Japão e a Coreia do Sul, onde ser professor exige uma qualificação muito seletiva, qualidade de trabalho alta, salários bons e altos e muito, mas muito prestígio e reconhecimento, torna as coisas mais entendíveis.

Aquele que tem o papel de ensinar deve possuir uma colocação social acima das demais profissões, pois, quem ensinou o médico, engenheiro e o advogado foi um professor.

E quem ensina as crianças a formar senso crítico, parte da ética e parte da moral, é a escola, é o professor.

Seria lógica simples um país ser mais desenvolvido onde o professor é mais valorizado.

Qual o segredo desses países?

O denominador comum desses países é o fato de que a carreira do professor é estimulante, possui salário crescente e eles estão em pedestal alto de importância.

A qualidade de carreira do professor nesses países gerou bons resultados no influence ranking Pisa, organizado pelo OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Onde se avalia o desempenho de jovens de 15 anos em ciências, matemática e leitura em 75 países.

“A qualidade da educação de um país nunca será maior que a qualidade dos seus professores”, disse Andreas Schleicher, o idealizador do Pisa e diretor da área de educação da OCDE.

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(fundacred.org.br)

“E, para ter bons professores, é preciso atrair as pessoas mais talentosas para a profissão, oferecendo uma carreira desafiadora, além de boas condições de trabalho”, diz Schleicher.

Nesses quesitos, o Brasil está longe de ser exemplo.

Numa pesquisa da OCDE com 100 mil professores do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos), o Brasil aparece no topo de um ranking de violência em escolas.

Soma-se a isso o fato de a profissão não ter prestígio social, salários abaixo da média da OCDE, ausência de uma carreira bem estruturada e de um período mínimo de experiência prática em salas de aulas como parte da formação.

Todos esses fatores puxam para baixo a qualidade da educação no Brasil, que ficou entre os 10 países com piores resultados no Pisa de 2015.

Mas o como podemos mudar esse quadro?

A OCDE examinou as políticas para professores de 19 países que, além de irem bem no Pisa, revelam resultados equânimes, ou seja, não apresentam grande disparidade na qualidade do ensino para alunos ricos e pobres.

Entre essas nações estão Japão, Cingapura, Estônia, Finlândia, China e Alemanha.

Embora cada uma adote modelos diferentes, alguns fatores em comum foram identificados e podem servir de inspiração:

1 – Testes de admissão rigorosos

Todos os países com melhor desempenho no Pisa adotam critérios rigorosos na formação e contratação de professores, segundo o estudo Políticas Efetivas para Professores, da OCDE.

Na Coreia do Sul e na China, interessados em dar aulas no ensino básico precisam passar por dois testes altamente competitivos – um para ingressar no curso de formação de professor e outro depois de formado, para ser autorizado a integrar o sistema de ensino.

A valorização dos professores e da educação é o segredo de países ricos
(bbc.com)

Já em Cingapura, os melhores alunos do ensino médio são “recrutados” para se tornarem professores, por meio de condições atrativas de estudo e trabalho, como a oferta de uma generosa bolsa mensal durante o período de treinamento.

Ser seletivo quanto a escolha de professores, torna a profissão mais valorizada, mais atrativa e mais concorrida.

Isso aumenta o prestígio e a valorização.

2 – A experiência prática para formação

“É importante garantir que uma parte considerável do treinamento se dê nas salas de aula das escolas, não apenas nas universidades.

As salas de aula são os locais onde os professores adquirem boa parte da técnica e da qualificação.

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(bbc.com)

A maioria dos países com boas políticas públicas para o magistério têm um equilíbrio entre formação teórica e prática”, afirmou o diretor de educação da OCDE.

O período de treinamento prático varia entre os países com as maiores notas no Pisa – vai de 20 dias no Japão a alguns meses no Reino Unido, Austrália e Noruega, para um ou dois anos inteiros na Alemanha.

3 – Especialização na área de ensino

A especialização é importante para garantir o constante aprendizado do professor e o maior domínio naquilo que ele quer lecionar.

Segunda a OCDE, no Brasil apenas 29% dos professores de ciências tem especialização.

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(tvassembleia.org)

Se comparar com a Finlândia, Austrália, Coreia do Sul e Alemanha, vemos que eles possuem mais de 80% dos seus professores especializados.

“A primeira coisa que você, como aluno, percebe é se o seu professor realmente domina a matéria que ele está ensinando, então, claramente é uma vantagem ter um profissional com especialização na área que ele leciona”, diz Schleicher.

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“Para poder ensinar num nível mais profundo, ensinar a pensar cientificamente, o professor precisa ter conhecimento da didática da disciplina.

Ele não consegue ensinar a pensar cientificamente só seguindo o livro didático, mesmo que seja um material estruturado que dê a receita do bolo”, diz.

4 – Plano de carreira e salários bons

Os países que tiveram melhor desempenho no Pisa pagam aos professores salário maior que a renda per capita, sendo que alguns oferecem remunerações extremamente competitivas, como na Coreia do Sul.

No Brasil, o piso salarial dos professores é, atualmente, R$ 2.455.

“Salário é uma questão essencial. A remuneração vem aumentando no Brasil, mas muito menos que a de profissões de igual escolaridade. Isso explica em parte a baixa atratividade da carreira para o futuro professor“, diz Costin.

Mas não só o salário é o que importa, ter plano de carreira, com uma carreira estimulante e com qualidade de trabalho também fazem a diferença.

A valorização dos professores e da educação é o segredo de países ricos
(bbc.com)

“Por um lado, podemos dizer que o Brasil tornou dar aulas um pouco mais atrativo financeiramente nos últimos anos, já que os salários aumentaram um pouco. Mas o Brasil não fez o suficiente para tornar a carreira de professor intelectualmente atrativa”, disse.

“Você quer que as pessoas mais talentosas e competentes da sociedade se tornem professores. É o que aprendemos da Finlândia. Lá, os salários de professores não são fantásticos, mas todos querem se tornar professores, porque é considerado uma carreira incrível.”

5 – Desafios e educação

Existirem cursos de aprendizado contínuo geram autonomia para desenvolver e testar novos métodos de ensino.

Esse detalhe também faz a diferença entre os países com melhor desempenho no Pisa.

De acordo com a OCDE, na Austrália, Reino Unido, Coreia do Sul, Nova Zelândia e Cingapura, é comum o acesso frequente a workshops para grupos de professores e oferta de coaching, para que os profissionais tenham contato com novas metodologias e saibam identificar as próprias preferências na carreira.

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(terra.com.br)

No Japão, por exemplo, é exigido que os professores troquem de escola periodicamente, para garantir um equilíbrio entre novatos e profissionais experientes nas escolas localizadas em áreas mais pobres do país.

E há incentivos aos professores para que assumam turmas com alunos em “desvantagem social e econômica”, como antecipação de promoções para cargos de gestão e a possibilidade de escolher a próxima escola onde quer trabalhar.

No Brasil, prevalece a progressão salarial por tempo de serviço e, em geral, faltam incentivos para que professores assumam projetos complexos e desafios.

Acho que todos nós entendemos que o bom desenvolvimento de um país depende da educação.

Que não precisa ter gordos investimentos iniciais para que seja melhor, mas sim um bom planejamento e uma boa administração e seletividade dos professores.

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Postado por: G M Rhaekyrion
Escritora de ficção e fantasia, colunista de site em entretenimento, moda, saúde, beleza e bem-estar. Bióloga por formação, pela Universidade Federal de Alagoas e, eventualmente, faço criticas narratológicas para escritores de ficção.