O governador Dória, conhecido por aplicar a quarentena mais rigorosa do país, mudou de ideia mais uma vez e agora quer o retorno das aulas presenciais para esta terça-feira (8), um dia após o feriado da independência.

Estranho, não é mesmo? O homem que fechou o comércio de milhares de trabalhadores há algumas semanas atrás agora exige que os estudantes esqueçam a quarentena e retomem suas atividades escolares normalmente.


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As entidades de classe entraram com uma liminar contra a decisão mas foi negada pela Justiça de São Paulo. A determinação da justiça afirma que a participação do estudante “não é obrigatória” por causa da pandemia da covid-19.

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Agora, como é que o professor vai conseguir dar aula presencial e à distância ao mesmo tempo? A resposta é simples: não vai. Com a sobrecarga de trabalho as aulas à distância vão acabar e os alunos serão forçados a comparecerem nas aulas presenciais para não se prejudicarem, com ou sem pandemia.

Critério surreais que Dória não fornece

Dória fechou comércios e fez várias pessoas perderem seus empregos
Dória, que fechou comércios e fez várias pessoas perderem seus empregos, quer que crianças voltem a estudar presencialmente. Foto: divulgação.

A justiça alega que o estado de São Paulo deverá tomar todas as providências para que se tenha uma retomada segura das aulas presenciais. Alguns desses critérios exigidos são:

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  • Limpeza e higienização adequada dos ambientes;
  • Disponibilização de álcool 70 e máscaras para os alunos;
  • Reforço e recuperação de aprendizagem;
  • Acolhimento emocional;
  • Orientação de estudos e tutoria pedagógica;
  • Plantão de dúvidas;
  • Avaliação diagnóstica e formativa;
  • Atividades esportivas e culturais;
  • Utilização da infraestrutura de tecnologia da informação da escola para estudo e acompanhamento das atividades escolares não presenciais. 

Você acha mesmo que uma escola estadual, que raramente tem papel higiênico nos banheiros, terá uma higienização adequada ou “acolhimento emocional” para receber os alunos? de acordo com o mundo imaginário de Dória, sim.

Sem funcionários suficientes para a limpeza, infraestrutura precária, salas de aula superlotadas, baixo número de professores e a falta de materiais didáticos são um dos problemas que o governo deveria ter resolvido durante a quarentena.

A volta às aulas na rede estadual do Amazonas infectou 342 professores em apenas 20 dias. Outro destaque é que os docentes classificados em grupo de risco somente participarão das atividades presenciais mediante assinatura do termo de responsabilidade. Ou seja, é o estado se precavendo e tirando a responsabilidade sobre os docentes.

Com as eleições chegando, a sensação de “normalidade” terá que ser imposta às pressas. Ao decidir expor crianças e adolescentes ao vírus, Dória, que tanto critica Bolsonaro, mostra que seus interesses estão acima da vontade popular.

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