Nise da Silveira, a revolução da Psiquiatria

Na terça-feira (30) de agosto, foi inaugurada em Maceió, AL, a escultura em homenagem a psiquiatra alagoana Nise da Silveira, no Corredor Vera Arruda, Mangabeiras.
Anderson Gomes - 01 de Agosto de 2019 às 10:32:48
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Na terça-feira (30) de agosto, foi inaugurada em Maceió, AL, a escultura em homenagem a psiquiatra alagoana Nise da Silveira, no Corredor Vera Arruda, Mangabeiras.

Nise da Silveira, a revolução da Psiquiatria (g1.globo.com)

O escultor que fez a obra é o artista plástico mineiro Léo Santana.


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Rui Palmeira (PSDB), prefeito de Maceió, declara que a homenagem é devido a importância de Nise na humanização do tratamento psiquiátrico.

Nas palavras de Rui:

“A doutora Nise, alagoana foi pioneira na humanização do tratamento psiquiátrico. Na turma de Medicina lá na Bahia, ela era a única mulher. Ela foi perseguida pelo regime ditatorial de Getúlio Vargas.

Conseguiu dar a volta por cima e mostrar para o mundo que o método dela de terapia era muito mais eficiente.

Antes os tratamentos causavam muito sofrimento para os pacientes, mas ela chegou para mudar isso.”

Quem foi Nise da Silveira?

Nascida em 1905, Nise foi uma das primeiras mulheres formadas em Medicina no Brasil, sofrendo todos os preconceitos da época.

Desde cedo Nise lutava contra as formas agressivas que o tratamento psiquiátrico da época adotava. Contendo eletrochoques, insulinoterapia e lobotomia, todos métodos hoje considerados arcaicos e ineficientes.

Nise sofreu com o regime ditatorial de Vargas, sendo denunciada por uma enfermeira pela posse de livros marxistas, que levou sua prisão em 1936, no presídio Frei Caneca, onde ficou 18 meses.

Nise da Silveira, a revolução da Psiquiatria (youtube.com)

Nise encontrou com Graciliano Ramos no mesmo presídio e se tornou uma das personagens do livro de Ramos: Memórias do Cárcere.

O Trabalho de Nise na psiquiatria

Ingressou no serviço público em 1944 no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro.

Nise da Silveira, a revolução da Psiquiatria (flickr.com)

Nise se recusou a seguir a conduta agressiva dos tratamentos aplicados no Centro Psiquiátrico e por essa razão foi transferida para a terapia ocupacional, que era menosprezada pelos médicos.

Então, em 1946 Nise fundou a Seção de Terapêutica Ocupacional, criando ateliês de pintura e modelagem, incentivando os pacientes a reatar seus vínculos com a realidade através da criatividade.

Foi dessa maneira que Nise da Silveira revolucionou a psiquiatria.

Museu de Imagens do Inconsciente

Nise fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, em 1952.

O museu era um centro de estudo e pesquisa destinado à preservação dos trabalhos produzidos nos estúdios de modelagem e pintura criados pelos paciente de Nise.

Nise da Silveira, a revolução da Psiquiatria (ccms.saude.gov.br)

Esse museu e suas obras ofereceram inspiração para que Nise publicasse um livro: “Imagens do Inconsciente”.

Posteriormente, os feitos de Nise despertaram a curiosidade do cineasta Leon Hirszman, que criou a trilogia de filmes (1983-1985), chamada de: “Imagens do Inconsciente”.

Mostrando as obras realizadas pelos pacientes de Nise e ela mesma fez o roteiro.  

Contribuições de Nise

Nise introduziu no Brasil a psicologia junguiana.

Conquistando a atenção de Carl Gustav Jung, que recebeu a carta de Nise com interesse e a estimulou a apresentar uma mostra com as obras dos pacientes.

A “A arte e a Esquizofrenia”, que ocupou cinco salas no “ii Congresso Internacional de Psiquiatria”, em 1967, Zunique.

(correiobraziliense.com.br)

Nise foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica, sediada em Paris. E foi condecorada diversas vezes, colecionado títulos e prêmios.

Nise foi inspiração para museus, livros, centros culturais e instituições terapêuticas, que seguiram seu legado.

Hospícios

O passado registrado com sangue nos hospitais psiquiátricos (Hospícios) brasileiros são de causar arrepios.

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A história de Nise não é a única a mostrar como o tratamento nesses prédios era horrível.

O livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, mostra a história do maior Hospício do Brasil, que registrou um dos maiores genocídios do país.

Confira o vídeo

Arbex percorre as histórias do Hospício de Barbacena, em Minas Gerais, lembrando os motivos torpes que levaram pessoas sãs a serem pacientes do lugar e quantas crueldades foram aplicadas.

Nise não só revolucionou a medicina, ela possibilitou qualidade de vida a diversos pacientes, que muitas vezes tinham seu quadro agravado pelos maus-tratos.

Nise: O Coração da Loucura

O filme dirigido por Roberto Berline, lançado em 2016, é um longa metragem que retrata parte da trajetória de Nise da Silveira, interpretada por Glória Pires. Ressaltando os marcos de Nise na psiquiatria.

Confira o trailer

Nise, a eterna mãe das mandalas

Nise da Silveira morreu de insuficiência respiratória aguda, em 1999, com 94 anos. Seu trabalho e sua existência marcaram a vida de muitas pessoas na Terra e agora ela é lembrada em uma estátua belíssima na cidade de Maceió, Alagoas.

GMR

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Postado por: Anderson Gomes
Sou redator e professor de Física, curto uma boa música, games e, acima de tudo, estar com minha família.