Almir Santana analisa os 40 anos do registro do primeiro caso de HIV no mundo

No dia 5 de junho, fez 40 anos da descoberta do primeiro caso da Aids no mundo.

Por: Fredson Navarro - Jornalista
07/06/2021 às 07:53 - atualizado em 07/06/2021 às 07:53

Compartilhe: faceboook twitter whatsapp

No dia 5 de junho, fez 40 anos da descoberta do primeiro caso da Aids no mundo. Em Sergipe, a Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe desenvolve um trabalho relevante de prevenção e enfrentamento das infecções sexualmente transmissíveis.

Diante do presente contexto pandêmico, em alusão à data, durante este mês, a SES irá impulsionar ainda mais ações utilizando as tecnologias digitais. Por meio das redes sociais irá divulgar informações a respeito do HIV, tais como: formas de prevenção, meios de transmissão, importância dos testes rápidos, necessidade de combate ao preconceito e as novas tecnologias de prevenção disponíveis.

Esse ano, o médico Almir Santana que é gerente do Programa IST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde (SES), um nome referência na temática das ISTs no estado e no Brasil, também completa 40 anos de atuação na área da saúde. Ele explica que o primeiro caso oficial de Aids em Sergipe foi em 1987, segundo relata, no passado era comum as pessoas irem morar no sudeste e retornar posteriormente já com a infecção para buscar tratamento junto da família.

“A temática do HIV/Aids me despertou quando eu trabalhava numa unidade de saúde que ficava no bairro Santos Dumont, lá eu comecei a realizar um trabalho com profissionais do sexo sobre Sifilis e, naquele período, tive conhecimento do um primeiro caso de Aids, era uma pessoa do interior de São Paulo que tinha vindo para Sergipe. Logo quando a doença surgiu, os médicos rejeitavam os pacientes. Já no começo eu imaginava que se tornaria uma epidemia mundial, por ser sexualmente transmissível, que teríamos muitos problemas futuros”, rememora o médico.

Para o gerente, o principal desafio encontrado em sua jornada foi derrubar o preconceito, esse que ainda existe na sociedade em menor grau em relação ao passado.

“Eu tive que intervir, pois, era habitual empresas quererem demitir os funcionários, creches que rejeitavam crianças. No meu ponto de vista não adiantava aceitar forçadamente as pessoas soropositivas, não adiantaria somente judicializar, até porque na época não tinha lei, então, eu ia nas empresas e creches fazer um trabalho de educação, ou seja, orientar o que era o vírus e como acontecia a transmissão, quebrar os preconceitos construídos, além disso, eu explicava sobre os direitos que as pessoas tinham de trabalhar, estudar e conviver em sociedade”, assevera Almir Santana.

Dentre as conquistas obtidas em relação ao HIV/Aids, o médico destaca o tratamento que é ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O Brasil foi o primeiro país que adotou o tratamento através do SUS, é a nossa maior conquista as pessoas terem esse acesso gratuito. Eu considero um grande exemplo para o mundo essa experiência do Brasil”, salienta.

No tocante à prevenção, o especialista lista o aumento do número de pessoas que utilizam o preservativo (camisinha).

“As pessoas começaram a se interessar mais. Hoje não é mais por falta de informação que não utilizam, as que não usam ainda tem a sensação de que não correm riscos de infecção, é a falta de percepção do risco. Para a SES ainda é um desafio modificar esse aspecto para alguns grupos”, analisa com preocupação.

Outro desafio apontado por Almir Santana é a melhoria do pré-natal. Além disso, fala do diagnóstico tardio do HIV como outro aspecto preocupante em relação à qualidade de vida da população. “Apesar de haver testes gratuitos pelo SUS, tem pessoas descobrindo tardiamente que possui o vírus, o que está impactando, inclusive, nos quadros da Covid-19. Porque uma pessoa com diagnóstico tardio, provavelmente, vai ter muita dificuldade de recuperação”, constata.

Apesar de tudo isso, Almir Santana tem confiança na ciência e compreende o tratamento como um grande avanço que vem se confirmando ao longo das últimas décadas. “Hoje tem pessoas que devido ao tratamento tem no resultado que o vírus está indetectável, ou seja, a carga viral é muito baixa. Isso é uma grande vitória da ciência. A esperança é a vacina, esperamos que essa experiência que tivemos com a Covid, essa mobilização mundial possa ser feita para conseguirmos uma vacina também para o HIV”, reflete.

O médico relembra que o SUS dispõe de novas tecnologias de prevenção: a PEP (Profilaxia Pós-Exposição de Risco) e a PREP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV). “As pessoas hoje têm direito a escolher sua forma de prevenção”, finaliza Almir Santana.

Dúvidas, critícas e sugestões? Fale com a gente
Acompanhe a Folha Hoje nas Redes! faceboook twitter youtube instagram Google News

Fredson Navarro
Fredson Navarro é jornalista, formado em 2005 pela Universidade Tiradentes. Atua no mercado sergipano há mais de 15 anos. Saiba mais sobre Fredson em seu perfil!