Bebê de um mês é o mais jovem doador e órgãos de Sergipe

Criança que recebeu órgãos é natural de Pernambuco.

Por: Marina Fontenele - Jornalista
18/06/2021 às 18:48 - atualizado em 18/06/2021 às 18:49

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Um bebê de apenas um mês e sete dias é o mais jovem doador de órgãos de Sergipe. Mesmo diante da dor imensurável da perda do filho, cuja a morte cerebral foi confirmada, o jovem casal de pais autorizou que parte dele salvasse outras vidas.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (18) pela Central Estadual de Transplante de Sergipe (CET/SE). O receptor será uma criança de Pernambuco. O doador anterior com menos idade tinha sete anos. 

“Apesar da dor imensurável da perda do filho, esse jovem casal teve a preocupação em evitar que outros pais passassem por essa dor. Em uma atitude de extrema solidariedade, autorizaram a doação dos órgãos do bebê. Nossa expectativa é que esse ato sirva de exemplo para toda a sociedade sergipana”, destacou o coordenador da CET, Benito Oliveira Fernandez.

O nome e as causas da morte da criança não foram divulgados. A notificação de possível morte encefálica aconteceu em 14 de junho, quando o caso foi considerado e o bebê não mais abria os olhos, não se mexia e não respondia a estímulos. A triste confirmação veio dois dias depois após série de exames e constante monitoramento da situação.

“Trata-se de um processo muito seguro que envolve testes clínicos e de imagem. O Brasil é exemplo em segurança no diagnóstico de morte encefálica. O exame clínico é feito por dois médicos, é realizado um eletroencefalograma e também uma série de outras avaliações confiáveis são efetivadas”, explicou Benito.

O caso foi acompanhado pela CET e pela Organização de Procura de Órgão (OPO) até autorização da remoção dos órgãos e localização de receptor.

“Informamos que o bebê era um provável doador de múltiplos órgãos porque ele teve a morte encefálica, mas o coração continuava funcionando”, explicou Janaina de Almeida Santos, coordenadora da OPO.

Doação

O procedimento de conversar com os pais ou responsáveis, é comum quando a doação envolve menores de idade. A legislação vigente preconiza que somente os cônjuges ou parentes em segundo grau podem autorizar que o paciente seja doador. “

Segundo Benito, é preciso desmistificar muita coisa sobre a doação de órgãos, desse modo, as pessoas poderão perder o medo de se tornarem doadoras ou aceitarem a doação de órgãos dos seus parentes.

“Temos ainda muito apego ao corpo, muitas famílias querem o corpo íntegro dos seus entes. A gente precisa entender que a única certeza é que a gente vai morrer e o corpo se desintegra. O sentimento que tocou o coração dos pais do pequeno bebê doador é o que a gente espera que floresça no coração de outras pessoas”, finalizou o coordenador da CET.

*Com informações da SES/SE

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Marina Fontenele
É jornalista, graduada pela Universidade Tiradentes em 2009 e possui MBA em Comunicação. Já passou pelo G1, Jornal Cinform, Sebrae e TJSE. Saiba mais sobre Marina em seu perfil!