O feminismo de Michiru do novo anime BNA na Netflix



Os otakus ficam atentos para os lançamentos de anime na Netflix e com BNA não foi diferente, porém o anime surpreendeu com Michiru.
G M Rhaekyrion - 13 de Julho de 2020 às 13:29:55

Você é fã de animes? Não consegue se segurar de ansiedade até o dia do lançamento? Pois partilhamos do mesmo mal e posso dizer que ser um otaku está ficando cada vez mais fácil com advento das plataformas como Netflix, trazendo em seu catálogo obras como BNA e A Folha Hoje sabe dessa importância.

Brand New Animal, ou BNA, é uma produção do Studio Trigger, que é responsável pelo desenvolvimento de Kill la Kill e Darling in the FranXX. Lançado na Netflix em junho, o desenho segue a tendência furry, quando os personagens são animais humanoides. Porém, diferente de Beastars, os ferais do mundo de BNA escolhem estar em sua forma humana ou animal.


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A história segue Michiru Kagemori, que deseja desesperadamente adentrar na cidade de Animália, onde poderia viver em paz e, finalmente, parar de ser perseguida. Entretanto, sua ida para a cidade onde os ferais vivem é bem conturbada e sua chegada pontua um festival grandioso, onde ela conhece Shirou Ogami, um justiceiro que protege a cidade.

Até então a história é bem a cara do típico anime de fantasia, mas a surpresa está no fato de Michiru ser completamente diferente das mulheres que esses desenhos japoneses geralmente trazem. Porém, antes de conferir o restante da matéria, clique nesse botão azul e fique por dentro das novidades.

A Netflix traz BNA com muita representatividade feminista
O feminismo de Michiru do novo anime BNA na Netflix – foto: tendenciacosmica.com.br

Os animes possuem uma variedade enorme de estilos e tipos em seus títulos, porém, existe uma constância na apresentação da mulher em seus enredos: princesas a serem salvas. Seja em ação, ou no mais meloso dos romances, as personagens femininas sempre são salvas por heróis e tem sua chama apagada por algum homem.

Além disso, há uma forte e alta sexualização da mulher nos animes que contém ação e essa tendência é totalmente rompida em BNA com Michiru. Uma personagem de padrões físicos comuns veio para mostrar que a heroína é tão forte quanto diz sua lenda e que ela vai se salvar, não há necessidade de par romântico ou de uso do seu corpo para se destacar.

Dotada de uma habilidade única, uma personalidade forte e uma determinação de ferro, Michiru rompe padrões com seu jeito extrovertido. Então, ela revoluciona o pensamento de Animália carregando a série com fluidez e sem a necessidade de haver romance no meio da história.

Acredito que é a primeira vez que me sinto verdadeiramente representada em anime de fantasia, principalmente pela energia forte de Michiru. Porém, não só ela, mas a cidade ser comandada por uma prefeita, sua melhor amiga ser uma estrela famosa e seus amigos a reconhecerem por sua força.

A representatividade faz diferença nos animes

O feminismo de Michiru do novo anime BNA na Netflix – foto: noticiasetecnologia.com

Costumo começar um anime de fantasia e ação com a mesma expectativa de sempre: buscando qual vai ser o casal principal e qual das protagonistas ditas muito poderosas vai sucumbir a um trauma e ser salva pelo herói, que ainda nem sabe controlar seus poderes.

A grande maioria das histórias trazem essa constância, mesmo os mais famosos – Sakura que o diga – e talvez seja pelo fato de no Japão ainda haver um forte patriarcado.

Além disso, a sexualização das mulheres cria um estigma ruim a respeito do charme e beleza. Como se para ser notada precisa seguir um padrão de corpo e jeito, principalmente jeito.

Entretanto, BNA da Netflix me surpreendeu e a cada episódio eu me sentia mais empolgada e sedenta por continuar, pois desconstruía todas as minhas expectativas. Tanto pelo mistério, quanto por Michiru e Shirou, que salvam o mundo juntos, sem que Michiru seja ofuscada ou sustentada pelo poder de Shirou.

Confira o trailer aqui!

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Postado por: G M Rhaekyrion
Escritora de ficção e fantasia, colunista de site em entretenimento, moda, saúde, beleza e bem-estar. Bióloga por formação, pela Universidade Federal de Alagoas e, eventualmente, faço criticas narratológicas para escritores de ficção.