O PCC (Primeiro Comando da Capital) está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo por sua possível interferência nas Eleições Municipais deste ano. Segundo a polícia, a facção está usando seu poder dentro das comunidades para que os candidatos sejam impedidos de realizar sua campanha.

O jornal Estadão afirmou que há indícios de ameaças na região de Campinas e também na Baixada Santista. O Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) já providenciou um inquérito.


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O delegado Ismael Lopes Rodrigues Junior, diretor do Deic, disse que o caso foi encaminhado para a 4.ª Delegacia de Investigações Gerais. A polícia, no entanto, ainda não conseguiu avançar na apuração.

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Há 20 dias a polícia na Baixada Santista recebeu queixas de políticos ligados ao PSDB, preocupados com as ameaças que os cabos eleitorais vinham sofrendo durante a distribuição do seu material de campanha. Os principais alvos são os candidatos de Praia Grande e de Santos do PSDB, partido que governa os dois municípios e o Estado.

Orientamos as campanhas a nos procurar. Garantimos o sigilo da apuração, mas até agora não recebemos ninguém“, disse o delegado responsável pela Baixada Santista, Manoel Gatto Neto.

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Um outro agravante é o medo que os candidatos tem em formalizar a denúncia, visto que os cabos eleitorais moram nas comunidades ou perto de onde ocorreram as ameaças – seria um dos motivos para a ausência de denúncias formais.

Até o momento a inteligência da polícia não detectou nenhuma ordem que tenha saído da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde fica a cúpula da facção. Contudo, é provável que bandidos estejam agindo de acordo com seus interesses, como em Arujá, na Grande São Paulo, onde o megatraficante de drogas Anderson Lacerda Pereira, o Gordo, financiara a campanha da chapa vencedora em 2016 para depois se apoderar dos serviços da cidade.

Sobre a investigação

Polícia investiga interferência do PCC nas campanhas eleitorais de SP
Polícia investiga interferência do PCC nas campanhas eleitorais de SP. (Foto: Reprodução) .

De acordo com o delegado Gatto Neto, “o que interessa à facção não é começar uma guerra, mas obter lucro”. Para auxiliar na investigação, o diretor do Deinter- 6 determinou que os homens descaracterizados da inteligência policial acompanhassem os candidatos durante as campanhas.

O objetivo é obter fotografias e filmagens para o acumulo de provas, uma boa parte desse material já está sendo analisada pelo setor de inteligência da polícia.

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A polícia lembra que o disque-denúncia (181) está sempre à disposição para receber informações caso os cabos eleitorais não se sintam à vontade para procurar as delegacias.

Aparentemente, esse problema não deve ter nenhum impacto no resultado das eleições. Nenhum candidato terá seu direito de fazer campanha cerceado por bandidos aqui na Baixada Santista“, afirmou o delegado.

Candidatos apoiados pelas facções

A PF (Polícia Federal) está na cola de candidatos que estão usando dinheiro do crime organizado para financiar candidaturas em todo o País. A informação é do delegado Elvis Secco, coordenador-geral do órgão.

“Já na Operação Ferrari, em 2013, (ela detectou R$ 100 milhões lavados pela facção), já tínhamos vereadores em cidades pequenas financiados pela facção. Sete anos depois, isso cresceu. A partir de agora vamos catalogar os vereadores eleitos com ligação com o tráfico”, declarou o delegado.

O PCC já está infiltrado na política há muito tempo e o caso de Arujá, onde o megatraficante Anderson Lacerda Pereira atua não é o único. “Temos outras investigações”, disse Secco.

O delegado ainda afirma que o caminho de entrada da facção na política nada mais é do que uma forma de ganhar dinheiro com fraudes em contratos públicos, a exemplo do que acontecera nas coleta de lixo em Arujá e na Saúde do município da Grande São Paulo.

Segundo ele, doleiros que antes atuavam para lavar dinheiro da corrupção estão lavando do tráfico. “O PCC está com muito dinheiro. Eles são a elite do crime hoje no País”, afirmou o delegado. Gordo continua foragido. Sua defesa nega os crimes.

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