João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, também conhecido pelo seu apelido Beto, deixa quatro filhos e é lembrado pela sua companheira, Milena Borges Alves, de 43, como alguém apaixonado por futebol, brincalhão, comunicativo, que gostava de música e dançar. Emocionado, seu pai também expressou tristeza pela perda.

“Ele era bem comunicativo, muito brincalhão. Gostava de música, ficava dançando em casa”, relatou a sua esposa. Ambos moravam em um apartamento da Vila do Iapi, que fica à 600 metros do Carrefour, zona norte de Porto Alegre.


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Milena disse também que uma vez ele encontrou um gato perdido em um terreno baldio: “Andava para cima e para baixo com ele. Eram muito grudados”, contou.

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Torcedor apaixonado pelo São José, ele também foi homenageado pelos Farrapos, torcida organizada do time, que entre pedidos de justiça, também marcou presença hoje na manifestação em frente ao Carrefour Passo D’Areia, local onde ocorreu o crime.

“Tínhamos uma amizade de pai e filho, nos respeitávamos”, lamentau o pai de Beto

Beto deixa quatro filhos de relacionamentos anteriores e família lamenta a sua morte - foto: reprodução
Beto deixa quatro filhos de relacionamentos anteriores e família lamenta a sua morte – foto: reprodução

Às vésperas do Dia da Consciência Negra —  Beto foi morto após ter se desentendido com uma funcionária de um supermercado da rede Carrefour. Ela teria chamado os dois seguranças para levá-lo até o lado de fora. No entanto, durante o percurso, cenas gravadas mostram ambos os seguranças segurando e agredindo ele no centro do supermercado. Na sequência, Beto é visto desmaiado no chão e sangrando. O socorro foi chamado, mas ele não resistiu.

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“A esposa referiu que eles estavam no mercado fazendo compras, que o marido fez um gesto, que ela não soube especificar, para a fiscal. E ele teria sido conduzido para fora do mercado”, relatou a delegada Roberta Bertoldo.

João Batista Rodrigues Freitas, de 65, pai de Beto, declarou o seguinte: “Estou me sentindo abatido. Perdi a pessoa que mais amava. Amava minha mulher, que perdi há seis anos. Agora perdi meu filho. Tínhamos uma amizade de pai e filho, nos respeitávamos.”

E completou: “Foi um episódio de racismo. Basta ver a força da agressão. Primeira coisa que perguntei foi: “Ele estava roubando?” Se não estava, por que ser agredido? E por que ser agredido brutalmente pelos seguranças? Aliás, não posso chamá-los de seguranças porque isso desmerece os profissionais que são seguranças de verdade.”

Nota emitida pelo Carrefour

O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.

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O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.

Nota emitida pela Brigada Militar (BM)

Imediatamente após ter sido acionada para atendimento de ocorrência em supermercado da Capital, a Brigada Militar foi ao local e prendeu todos os envolvidos, inclusive o PM temporário, cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei. Cabe destacar ainda que o PM Temporário não estava em serviço policial, uma vez que suas atribuições são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento, e, ainda, mediante convênio ou instrumento congênere, guarda externa de estabelecimentos penais e de prédios públicos. A Brigada Militar, como instituição dedicada à proteção e à segurança de toda a sociedade, reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos e garantias fundamentais, e seu total repúdio a quaisquer atos de violência, discriminação e racismo, intoleráveis e incompatíveis com a doutrina, missão e valores que a Instituição pratica e exige de seus profissionais em tempo integral.

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