11 de Julho de 2019, atualizado ás 16:07

Só mulheres serão contratadas pela Universidade de Eindhoven, Holanda



Por: | Notícias

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Decretada essa semana, a Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, só aceitará currículos de professores do sexo masculino, caso não encontre currículos de mulheres, para ministrar aulas e desenvolver pesquisa.

Apenas 16% do corpo docente é ocupado por mulheres, na Universidade de Eindhoven, levando o diretor da instituição tomar a decisão restritiva às mulheres, mas foi considerado radical. Entretanto, declara o diretor, ser uma medida necessária.

Só mulheres serão contratadas pela Universidade de Eindhoven, Holanda (pinterest.com)

Durante o próximo ano e meio apenas currículos de mulheres vão ser coletados, homens só serão contemplados caso, em seis meses, não consigam mulheres aptas aos cargos oferecidos.

A decisão entrou em vigor dia 1º de julho de 2019 e o reitor Frank Baaihens, declara: “Claramente é um passo radical, mas sentimos que era necessário já que medidas mais sutis que estamos tentando nos últimos dez anos não têm funcionado”.

Com o índice de 16% reservado à mulheres na academia, foi considerado um dos mais baixos índices da Europa.

O diretor disse ao jornal britânico The Guardian:

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“O que está claro é que durante os processos de seleção e de recrutamento todos nós – homens e mulheres – temos um viés inconsciente, o que significa que gravitamos para candidatos do sexo masculino”

“Isso torna mais difícil para as mulheres começarem e desenvolverem suas carreiras acadêmicas. Para resolver essa situação injusta, tivemos que realizar ações de discriminação positiva, mesmo com o risco de perturbar alguns candidatos do sexo masculino”

Sendo assim, o objetivo é aumentar a representatividade feminina em 20% até 2020 e em 30% até 2030. E a Universidade declara que, nos próximos anos, estarão disponíveis 150 vagas.

O ato da Universidade de Tecnologia de Eindhoven se trata de um projeto batizado em homenagem a Irène Curie, vencedora do Nobel de Química, filha de Marie Curie, primeira mulher a ganhas o Nobel.

Só mulheres serão contratadas pela Universidade de Eindhoven, Holanda. Marie Curie (pinterest.com)

Falta profissionais na Holanda

Representando o cenário da Europa, a Holanda sofre com a escassez de profissionais, dentre eles os engenheiros e o Diretor da Universidade afirmou que não se podiam excluir metade do potencial intelectual da população.

A porcentagem de alunas mulheres na mesma instituição é de 25%, número bem baixo. Em 2016, a proporção de mulheres com a mais alta posição para realizar pesquisa acadêmica, variava entre 13% (em Chipre) a 54,3% (Romênia).

A proporção média de mulheres entre nas universidades e centro de ensino em todos os países da União Europeia foi de 41,3% em 2018 – relatório de She Figures, produzido pela Comissão Europeia.

Os dados não mentem

República Tcheca (34,4%), Grécia (35,1%) e a França (36,5%), apresentaram os menores índices de presença feminina.

Toda via, Nos Estados Unidos, as mulheres são 45% do corpo docente trabalhando em tempo integral no ensino superior, segundo Bridget Turner Kelly, professora da Universidade de Maryland

Mas “quanto mais alto você olha, menos mulheres há, o que mostra que as desigualdades de gênero persistem”, declarou Kelly.

mulheres na pesquisa brasileira

Só mulheres serão contratadas pela Universidade de Eindhoven, Holanda (pinterest.com)

Em nosso país contamos com 70% de mulheres no corpo docente do país, segundo os censos educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 2007.

Entretanto, quando se pensa no ensino superior, apenas 45,5% das mulheres ocupam os cargos, segundo o Censo Educação Superior de 2016.

Algumas pesquisas com relação as mulheres na pesquisa científica brasileira, mostraram que a maioria dos trabalhos desenvolvidos nas universidades eram produzidos e assinados por mulheres.

Porém, ainda não possuímos um quadro apropriado, visto que, como mencionou Kelly acima, os cargos mais altos ainda são majoritariamente ocupados por homens.

GMR




Anderson Gomes

Professor de Física e estudante de Engenharia Civil, gosto de uma boa música, games e, acima de tudo, estar com minha família.

  

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