segunda-feira, fevereiro 2, 2026

Reino Unido alerta para risco de pancreatite grave e mortes associadas a Ozempic e Mounjaro

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) emitiu um alerta importante sobre casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam medicamentos emagrecedores como Ozempic, Mounjaro e Wegovy. Entre 2007 e outubro de 2025, a MHRA recebeu 1.296 notificações de pancreatite associadas ao uso desses medicamentos, incluindo 19 casos fatais e 24 registros de pancreatite necrosante. Embora a pancreatite seja um efeito colateral conhecido dos agonistas de GLP-1, a agência britânica reforça que médicos e pacientes devem estar atentos aos sintomas iniciais para evitar complicações graves.​

Medicamentos envolvidos no alerta

O comunicado da MHRA abrange os agonistas de GLP-1 e agonistas duplos de GIP/GLP-1, classes de medicamentos que incluem a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, Rybelsus e Wegovy, e a tirzepatida, substância presente no Mounjaro. Esses medicamentos foram originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, mas recentemente passaram a ser amplamente prescritos para o controle de peso e emagrecimento. No Reino Unido, os agonistas de GLP-1 autorizados incluem também dulaglutida, exenatida e liraglutida, embora a exenatida não seja mais comercializada no país.

A popularidade desses medicamentos cresceu exponencialmente nos últimos anos, especialmente para fins de emagrecimento. Segundo pesquisa da University College London, 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, País de Gales e Escócia utilizaram agonistas de GLP-1 entre 2024 e 2025 com o objetivo de perder peso. No Brasil, o interesse pelas canetas emagrecedoras também disparou, com menções nas redes sociais aumentando 56% entre junho de 2024 e maio de 2025, somando 239 mil citações.​​

Sintomas da pancreatite aguda que exigem atenção

A MHRA orienta que profissionais de saúde e pacientes permaneçam alertas aos sintomas iniciais da pancreatite aguda, que incluem dor abdominal intensa e persistente, podendo irradiar para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode se manifestar em diferentes formas, como aguda, autoimune, crônica, hemorrágica, necrosante, subaguda e obstrutiva. Em casos muito graves, a condição pode evoluir para pancreatite necrosante e até levar à morte.

A recomendação oficial é que pacientes busquem atendimento médico urgente ao apresentarem os sintomas característicos da pancreatite, especialmente quando a dor abdominal for intensa e não passar. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar que o quadro evolua para formas mais graves da doença.

Risco baixo, mas casos graves preocupam

Apesar do alerta, a diretora de segurança da MHRA, Alison Cave, reforçou que “para a grande maioria dos pacientes, esses medicamentos são seguros e eficazes, proporcionando benefícios significativos à saúde”. A pancreatite aguda já era listada nas bulas do Mounjaro e de medicamentos à base de semaglutida como efeito colateral raro, com incidência estimada entre 0,1 e 1 caso a cada 100 usuários. O endocrinologista Carlos Eduardo Couri pontua que pessoas com obesidade e diabetes — os principais públicos dessas drogas — já apresentam risco maior de pancreatite independentemente do tratamento.

Estudos científicos indicam que, embora existam preocupações sobre o risco de pancreatite aguda associado aos agonistas de GLP-1, os dados disponíveis de ensaios clínicos e estudos pré-clínicos não confirmam uma associação significativa entre o uso de semaglutida e aumento na incidência da condição. A agência britânica enfatiza que o risco de desenvolver efeitos colaterais graves é muito pequeno, mas considera importante que pacientes e profissionais de saúde estejam cientes e vigilantes.

Mercado bilionário de emagrecedores GLP-1

O mercado global de agonistas de GLP-1 está em franca expansão, com projeções de movimentar até US$ 150 bilhões até 2030. No Brasil, o potencial de mercado pode alcançar R$ 7,5 bilhões em 2026, impulsionado pelo crescente número de pessoas com sobrepeso e obesidade. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, 68% da população brasileira apresenta sobrepeso e 31% convive com algum grau de obesidade.

Nos Estados Unidos, as mulheres são as principais usuárias desses medicamentos, representando 15,2% das norte-americanas, contra 9,7% dos homens. A faixa etária predominante está entre 40 e 64 anos, e pesquisas mostram que seis em cada dez entrevistados afirmam usar o GLP-1 com foco no emagrecimento, não necessariamente para controle do diabetes. No entanto, o alto custo continua sendo a principal barreira para expansão do uso, com 45% dos usuários norte-americanos citando o preço como motivo de interrupção do tratamento.

Recomendações para uso seguro

A MHRA recomenda que médicos permaneçam atentos à possibilidade de pancreatite em pacientes que utilizam agonistas de GLP-1 e investiguem os sintomas conforme a prática clínica local. Pacientes devem ser orientados sobre os sinais de alerta e instruídos a buscar atendimento médico urgente caso apresentem sintomas característicos da condição. As notificações de eventos adversos são importantes para o monitoramento de segurança, mas devem ser analisadas em paralelo com estudos controlados que comparam grupos semelhantes.

O alerta da agência britânica não visa desencorajar o uso dos medicamentos, mas sim promover o uso consciente e seguro dessas substâncias. Com a popularização crescente das canetas emagrecedoras, a vigilância sobre efeitos colaterais raros, porém graves, torna-se essencial para garantir a segurança dos pacientes.

Raquel Luciano
Raquel Luciano
Raquel Luciano é jornalista formada em São Paulo, com 13 anos de experiência no mercado de comunicação. Especialista na criação de conteúdo relevante, já contribuiu para diversos portais de notícias, sempre com foco na precisão e na clareza das informações

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