segunda-feira, fevereiro 2, 2026

Salário mínimo de R$ 1.621 começa a ser pago nesta segunda-feira; veja impactos

O novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a ser pago nesta segunda-feira (2) aos trabalhadores brasileiros. O valor pode ser conferido no contracheque referente a janeiro de 2026, representando um reajuste de 6,79%, equivalente a R$ 103 em relação ao piso anterior de R$ 1.518. A medida foi oficializada pelo Decreto 12.797/2025 e segue a política de valorização do salário mínimo, que combina a reposição da inflação medida pelo INPC com ganho real vinculado ao crescimento do PIB, respeitando os limites do arcabouço fiscal.​

Como foi calculado o reajuste de 2026

O cálculo do salário mínimo de 2026 considerou dois componentes principais estabelecidos pela política de valorização retomada em 2023. A primeira parte corresponde à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou 4,18% em 12 meses até novembro de 2025. A segunda parte refere-se ao crescimento real da economia brasileira, baseado no PIB de 2024, que registrou expansão de 3,4%.

No entanto, o arcabouço fiscal, mecanismo que controla a evolução dos gastos públicos, determina que o ganho acima da inflação seja limitado a um intervalo de 0,6% a 2,5%. Dessa forma, embora o crescimento do PIB tenha sido de 3,4%, o reajuste real ficou restrito ao teto de 2,5% estabelecido pela regra fiscal. Com isso, o salário mínimo chegou a R$ 1.620,99 e, com o arredondamento previsto em lei, passou para R$ 1.621.

Impacto para 61,9 milhões de brasileiros

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo salário mínimo impacta diretamente 61,9 milhões de brasileiros que têm rendimentos referenciados no piso nacional. O aumento deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia em 2026, fortalecendo o consumo interno e a atividade econômica do país. O governo federal estima um impacto combinado de R$ 110 bilhões na economia ao considerar o reajuste do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda anunciada para 2026.

Além de afetar diretamente os trabalhadores que recebem o piso nacional, o novo valor serve como referência para uma série de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas. Entre eles estão aposentadorias do INSS, pensões, seguro-desemprego, abono salarial e salário-família. O reajuste tem efeitos amplos tanto sobre a renda das famílias quanto sobre as contas públicas, especialmente na Previdência Social.

Custo adicional para a Previdência Social

O novo salário mínimo terá um impacto de R$ 39,1 bilhões sobre as despesas previdenciárias em 2026, conforme estimativa do Dieese. Na Previdência, o impacto será sobre 46% dos beneficiários, correspondendo a 70,8% do total de pagamentos. Segundo o departamento, a cada R$ 1 acrescido ao salário mínimo, o impacto nas contas da Previdência é de R$ 380,5 milhões. Como o reajuste foi de R$ 103, o custo adicional alcança os R$ 39,1 bilhões mencionados.

Aposentados e pensionistas receberam primeiro

Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começaram a receber o novo salário mínimo no último dia 26 de janeiro. O pagamento segue até sexta-feira (6 de fevereiro), conforme o número final do cartão, sem considerar o dígito verificador. Para beneficiários que recebem acima do piso, o reajuste aplicado foi de 3,90%, correspondente ao INPC acumulado em 2025.

O teto do INSS para 2026 foi reajustado para R$ 8.475,55, representando um aumento em relação aos R$ 8.157,41 de 2025. O reajuste dos benefícios é feito de forma automática, sem necessidade de solicitação por parte dos segurados, e pode ser consultado pelo aplicativo Meu INSS.​

Valores atualizados do salário mínimo

Com o novo piso nacional, os valores diário e por hora também foram reajustados. O salário mínimo diário passa a ser de R$ 54,04, enquanto o valor por hora trabalhada fica em R$ 7,37. Esses valores servem como base para cálculos trabalhistas e contratos temporários que utilizam essas modalidades de pagamento.

Contribuições e benefícios vinculados ao mínimo

As contribuições ao INSS para trabalhadores com carteira assinada (CLT) seguem a tabela progressiva estabelecida pelo sistema previdenciário. Quem recebe até R$ 1.621 contribui com 7,5% sobre o salário; de R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84, a alíquota é de 9%; de R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27, contribui-se com 12%; e de R$ 4.354,28 até o teto de R$ 8.475,55, a contribuição é de 14%.​

Para autônomos, facultativos e Microempreendedores Individuais (MEI), as contribuições também foram atualizadas. O plano normal de 20% passa a ser de R$ 324,20; o plano simplificado de 11% fica em R$ 178,31; e o plano para baixa renda e MEI, com alíquota de 5%, passa a R$ 81,05.​

Seguro-desemprego e salário-família

O seguro-desemprego foi reajustado pelo INPC de 3,90%, com vigência desde 11 de janeiro de 2026. A parcela mínima do benefício corresponde ao novo salário mínimo de R$ 1.621, enquanto a parcela máxima chega a R$ 2.518,65. O valor recebido varia conforme o salário médio dos últimos três meses anteriores à dispensa.​

O salário-família, benefício pago a trabalhadores de baixa renda com filhos menores de 14 anos ou com deficiência, passa a ser de R$ 67,54 por dependente. O benefício é destinado a quem recebe até R$ 1.980,38 mensais.​

Trajetória de valorização do salário mínimo

O salário mínimo no Brasil tem trajetória de valorização real significativa desde 2002, quando o valor era de R$ 200. Entre 2002 e 2026, o piso nacional acumula aumento nominal de 710,5%, com ganho real próximo de 100% no poder de compra dos trabalhadores. Segundo o Dieese, a política de valorização do salário mínimo foi uma das principais ferramentas de combate à pobreza e às desigualdades sociais nas últimas duas décadas.

Em janeiro de 2026, o salário mínimo será capaz de adquirir, em média, 1,93 cesta básica, o melhor resultado desde 2019. Embora represente uma melhora significativa, o valor ainda é considerado insuficiente para garantir plenamente o sustento das famílias brasileiras conforme previsto na Constituição Federal

Raquel Luciano
Raquel Luciano
Raquel Luciano é jornalista formada em São Paulo, com 13 anos de experiência no mercado de comunicação. Especialista na criação de conteúdo relevante, já contribuiu para diversos portais de notícias, sempre com foco na precisão e na clareza das informações

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