Manipulação de resultados no Carioca: levantamento inédito mostra 14,6% dos jogadores de clubes pequenos receberam propostas, inquérito envolve TJD-RJ e DECON

Investigação aponta movimentações em casas de apostas, um atleta afastado, e debate sobre combate à integridade no futebol do Rio, com dados que acendem alerta sobre manipulação de resultados

Quase 15% dos jogadores de times pequenos da Série A do futebol carioca relataram ter recebido propostas para manipulação de resultados, segundo levantamento inédito.

O estudo consultou 116 atletas, e 17 dos 116 jogadores consultados responderam afirmativamente à pergunta sobre possíveis sondagens para manipulação de resultados, número que preocupa dirigentes e autoridades.

A apuração e os relatos foram divulgados em reportagem do ge, conforme informação divulgada pelo ge.

O levantamento e os números

O levantamento anônimo do ge ouviu mais de 100 atletas que atuam na primeira divisão do Rio de Janeiro, focando principalmente em jogadores de clubes menores, e encontrou que 14,6% dos consultados disseram ter recebido propostas para manipular partidas.

O dado central, 17 dos 116 jogadores consultados responderam afirmativamente à pergunta sobre possíveis sondagens para manipulação de resultados, evidencia a presença de tentativas de corrupção mesmo em jogos de menor visibilidade, de acordo com a apuração.

Investigação em andamento

Um inquérito está em curso no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro, no TJD-RJ, e na Polícia Civil, com a Delegacia do Consumidor, a DECON, colhendo depoimentos.

A Federação do Rio, a Ferj, acionou investigativos por conta de movimentações anormais em casas de apostas relacionadas a uma partida do chamado “quadrangular da morte”, e um dos suspeitos já foi afastado de sua equipe.

Reações de dirigentes e medidas anunciadas

Alfredo Sampaio, presidente da SAFERJ, afirmou, textualmente, “Isso aí se tornou um vírus, né? A gente não vê.” Ele alertou que, por vergonha ou medo, o número real de abordados pode ser maior que o declarado.

A Ferj, por sua vez, disse que os casos de manipulação estão diminuindo, e listou ações de combate, incluindo a contratação de uma empresa especializada em integridade esportiva e o encaminhamento de denúncias à Polícia Civil e outros órgãos.

Em nota, a federação mencionou a retração nos registros, citando os números: “19 casos em 2022, 7 em 2023, 3 em 2024 e apenas 2 em 2025”, como indicativo da tendência de queda, segundo a entidade.

Consequências para o campeonato e próximos passos

O resultado do levantamento e as investigações em curso colocam em questão a integridade do Campeonato Carioca e o futuro de atletas e clubes envolvidos, especialmente em partidas decisivas pelo rebaixamento.

Autoridades e dirigentes afirmam que as apurações prosseguem, e acompanhamentos em casas de apostas e depoimentos, incluindo o do presidente da Ferj, Rubens Lopes, deverão orientar possíveis punições e medidas preventivas.

O censo do Carioca 2026 será publicado em partes pelo ge, com a primeira parte dedicada à manipulação de resultados, tema que segue no centro do debate sobre integridade no futebol do Rio.