O ouro bateu um novo recorde histórico nesta quinta-feira (29) ao ultrapassar a marca de US$ 5.500 por onça-troy, registrando uma valorização de quase 3,8% no dia. Na máxima do pregão, a commodity chegou a atingir impressionantes US$ 5.625 por onça, consolidando sua posição como principal ativo de refúgio em meio às crescentes incertezas globais.
Fatores que Impulsionam a Alta do Ouro
As tensões geopolíticas têm sido o principal motor da disparada do metal precioso. As recentes ameaças do presidente Donald Trump ao Irã elevaram significativamente a percepção de risco nos mercados globais, levando investidores a buscarem proteção em ativos seguros. Esse movimento reflete a crescente preocupação com a estabilidade internacional e o impacto direto nas decisões econômicas que afetam mercados emergentes como o Brasil.
O Goldman Sachs, em relatório recente, destacou que além das tensões globais, as preocupações com a trajetória fiscal e a incerteza política do Japão têm contribuído para pressionar ainda mais o preço do ouro. O banco avalia que os níveis atuais de preço representam um ponto de entrada incerto para investidores táticos, mas mantém perspectiva otimista no longo prazo.
Previsões e Perspectivas de Mercado
No longo prazo, o Goldman Sachs mantém expectativa de continuidade na trajetória favorável para o ouro, impulsionada pela força estrutural das compras de bancos centrais de mercados emergentes. O cenário-base do banco projeta que o metal precioso esteja cotado a US$ 5.400 por onça-troy até dezembro de 2026.
Essa previsão, no entanto, apresenta risco altista, uma vez que não incorpora a possível diversificação adicional do setor privado — uma fonte extra de demanda que pode elevar ainda mais os preços. Especialistas do mercado já projetam que o ouro pode se aproximar de US$ 6.000 ainda este ano, caso as tensões globais se intensifiquem.
Os analistas Lina Thomas e Daan Struyven, do Goldman Sachs, afirmam que “uma resolução desses fatores poderia provocar uma correção temporária, enquanto qualquer novo aumento dos riscos geopolíticos ou fiscais poderia sustentar uma consolidação ou até preços mais altos”. Esse cenário de volatilidade tem características semelhantes às oscilações observadas em outras commodities, onde fatores climáticos e geopolíticos alteram drasticamente os preços.
Valorização Histórica do Metal Precioso
O ouro acumula uma valorização impressionante de 64% em 2025, o maior ganho anual desde 1979. Apenas neste início de 2026, o metal já registra alta superior a 18%. Esse movimento extraordinário é impulsionado por múltiplos fatores convergentes:
- Busca por ativos seguros em meio às incertezas econômicas globais
- Política monetária mais flexível nos Estados Unidos
- Compras consistentes dos bancos centrais, com destaque para o décimo quarto mês seguido de aquisições pela China em dezembro de 2025
- Aportes recordes em fundos negociados em bolsa (ETFs)
Kyle Rodda, analista sênior da Capital.com, identifica que o principal fator recente por trás da disparada é “uma crise de confiança na administração e nos ativos dos Estados Unidos, provocada por decisões erráticas do governo Trump na semana passada”.
Prata Também Dispara para Níveis Recordes
A prata também acompanha o movimento do ouro e segue em trajetória de alta, cotada a US$ 118 por onça-troy nesta quinta-feira. Segundo o Goldman Sachs, o metal acumula alta impressionante de 51% no ano e ampliou sua notável valorização de 2025 — quando os preços subiram extraordinários 138%.
A alta recente da prata reflete o aperto de liquidez em Londres, o que contribui para que o metal rode acima de US$ 100 por onça. Na sexta-feira passada (23), a prata ultrapassou a marca histórica de US$ 100 pela primeira vez, ampliando a alta de 147% registrada no ano anterior.
O Goldman Sachs alerta em relatório: “Esperamos que oscilações extremas de preços continuem — tanto para cima quanto para baixo — e aconselhamos clientes avessos à volatilidade a permanecerem cautelosos”. O banco menciona ainda a volatilidade adicional pela especulação em torno da política comercial dos Estados Unidos, com a prata teoricamente elegível a tarifas de até 50%, o que pode retirar estoques de Londres e reduzir o volume disponível no mercado.
Impactos no Mercado Brasileiro
Para o Brasil, a valorização dos metais preciosos traz reflexos diretos na economia nacional. A variação cambial influenciada pela busca por ativos de refúgio pode afetar desde o custo de importações até a atratividade de investimentos no país.
A desvalorização do dólar americano para mínimas de quatro anos tem sido outro fator relevante, com o presidente Trump minimizando publicamente a queda da moeda. Essa postura reforça as expectativas de que a administração americana está confortável com a fraqueza do dólar em meio a novas ameaças tarifárias e pressão contínua sobre o Federal Reserve.
Outros Metais Preciosos em Alta
Além do ouro e da prata, outros metais preciosos também registraram valorizações expressivas. A platina avançou 3,4%, atingindo US$ 2.861,91 por onça, após alcançar US$ 2.891,6 no início da sessão. O paládio valorizou 2,5%, chegando a US$ 2.060,70, após atingir o maior nível em mais de três anos.
Esse movimento generalizado dos metais preciosos evidencia a forte demanda por proteção patrimonial em um cenário marcado por incertezas econômicas, geopolíticas e políticas comerciais. Investidores individuais e institucionais têm ampliado significativamente suas posições nesses ativos, buscando resguardar seu capital da volatilidade dos mercados tradicionais.
Perspectivas para os Próximos Meses
Analistas de mercado avaliam que a tendência de alta do ouro deve persistir enquanto as tensões geopolíticas permanecerem elevadas e a confiança nos ativos tradicionais continuar fragilizada. A política comercial americana, com potenciais novas tarifas, e as incertezas sobre a trajetória fiscal de economias desenvolvidas são fatores que devem sustentar a demanda por metais preciosos.
Para investidores brasileiros, a valorização do ouro representa tanto oportunidades quanto desafios. Por um lado, oferece proteção contra a volatilidade cambial; por outro, exige atenção às oscilações extremas de preço e aos riscos de correções temporárias mencionados pelo Goldman Sachs.
O mercado aguarda agora novos desdobramentos das tensões entre Estados Unidos e Irã, além de sinalizações sobre a política monetária americana, que podem definir se o ouro continuará sua trajetória histórica rumo aos US$ 6.000 por onça ou se passará por uma correção nos próximos meses.
