O novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a ser pago nesta segunda-feira (2) aos trabalhadores brasileiros. O valor pode ser conferido no contracheque referente a janeiro de 2026, representando um reajuste de 6,79%, equivalente a R$ 103 em relação ao piso anterior de R$ 1.518. A medida foi oficializada pelo Decreto 12.797/2025 e segue a política de valorização do salário mínimo, que combina a reposição da inflação medida pelo INPC com ganho real vinculado ao crescimento do PIB, respeitando os limites do arcabouço fiscal.
Como foi calculado o reajuste de 2026
O cálculo do salário mínimo de 2026 considerou dois componentes principais estabelecidos pela política de valorização retomada em 2023. A primeira parte corresponde à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou 4,18% em 12 meses até novembro de 2025. A segunda parte refere-se ao crescimento real da economia brasileira, baseado no PIB de 2024, que registrou expansão de 3,4%.
No entanto, o arcabouço fiscal, mecanismo que controla a evolução dos gastos públicos, determina que o ganho acima da inflação seja limitado a um intervalo de 0,6% a 2,5%. Dessa forma, embora o crescimento do PIB tenha sido de 3,4%, o reajuste real ficou restrito ao teto de 2,5% estabelecido pela regra fiscal. Com isso, o salário mínimo chegou a R$ 1.620,99 e, com o arredondamento previsto em lei, passou para R$ 1.621.
Impacto para 61,9 milhões de brasileiros
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo salário mínimo impacta diretamente 61,9 milhões de brasileiros que têm rendimentos referenciados no piso nacional. O aumento deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia em 2026, fortalecendo o consumo interno e a atividade econômica do país. O governo federal estima um impacto combinado de R$ 110 bilhões na economia ao considerar o reajuste do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda anunciada para 2026.
Além de afetar diretamente os trabalhadores que recebem o piso nacional, o novo valor serve como referência para uma série de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas. Entre eles estão aposentadorias do INSS, pensões, seguro-desemprego, abono salarial e salário-família. O reajuste tem efeitos amplos tanto sobre a renda das famílias quanto sobre as contas públicas, especialmente na Previdência Social.
Custo adicional para a Previdência Social
O novo salário mínimo terá um impacto de R$ 39,1 bilhões sobre as despesas previdenciárias em 2026, conforme estimativa do Dieese. Na Previdência, o impacto será sobre 46% dos beneficiários, correspondendo a 70,8% do total de pagamentos. Segundo o departamento, a cada R$ 1 acrescido ao salário mínimo, o impacto nas contas da Previdência é de R$ 380,5 milhões. Como o reajuste foi de R$ 103, o custo adicional alcança os R$ 39,1 bilhões mencionados.
Aposentados e pensionistas receberam primeiro
Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começaram a receber o novo salário mínimo no último dia 26 de janeiro. O pagamento segue até sexta-feira (6 de fevereiro), conforme o número final do cartão, sem considerar o dígito verificador. Para beneficiários que recebem acima do piso, o reajuste aplicado foi de 3,90%, correspondente ao INPC acumulado em 2025.
O teto do INSS para 2026 foi reajustado para R$ 8.475,55, representando um aumento em relação aos R$ 8.157,41 de 2025. O reajuste dos benefícios é feito de forma automática, sem necessidade de solicitação por parte dos segurados, e pode ser consultado pelo aplicativo Meu INSS.
Valores atualizados do salário mínimo
Com o novo piso nacional, os valores diário e por hora também foram reajustados. O salário mínimo diário passa a ser de R$ 54,04, enquanto o valor por hora trabalhada fica em R$ 7,37. Esses valores servem como base para cálculos trabalhistas e contratos temporários que utilizam essas modalidades de pagamento.
Contribuições e benefícios vinculados ao mínimo
As contribuições ao INSS para trabalhadores com carteira assinada (CLT) seguem a tabela progressiva estabelecida pelo sistema previdenciário. Quem recebe até R$ 1.621 contribui com 7,5% sobre o salário; de R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84, a alíquota é de 9%; de R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27, contribui-se com 12%; e de R$ 4.354,28 até o teto de R$ 8.475,55, a contribuição é de 14%.
Para autônomos, facultativos e Microempreendedores Individuais (MEI), as contribuições também foram atualizadas. O plano normal de 20% passa a ser de R$ 324,20; o plano simplificado de 11% fica em R$ 178,31; e o plano para baixa renda e MEI, com alíquota de 5%, passa a R$ 81,05.
Seguro-desemprego e salário-família
O seguro-desemprego foi reajustado pelo INPC de 3,90%, com vigência desde 11 de janeiro de 2026. A parcela mínima do benefício corresponde ao novo salário mínimo de R$ 1.621, enquanto a parcela máxima chega a R$ 2.518,65. O valor recebido varia conforme o salário médio dos últimos três meses anteriores à dispensa.
O salário-família, benefício pago a trabalhadores de baixa renda com filhos menores de 14 anos ou com deficiência, passa a ser de R$ 67,54 por dependente. O benefício é destinado a quem recebe até R$ 1.980,38 mensais.
Trajetória de valorização do salário mínimo
O salário mínimo no Brasil tem trajetória de valorização real significativa desde 2002, quando o valor era de R$ 200. Entre 2002 e 2026, o piso nacional acumula aumento nominal de 710,5%, com ganho real próximo de 100% no poder de compra dos trabalhadores. Segundo o Dieese, a política de valorização do salário mínimo foi uma das principais ferramentas de combate à pobreza e às desigualdades sociais nas últimas duas décadas.
Em janeiro de 2026, o salário mínimo será capaz de adquirir, em média, 1,93 cesta básica, o melhor resultado desde 2019. Embora represente uma melhora significativa, o valor ainda é considerado insuficiente para garantir plenamente o sustento das famílias brasileiras conforme previsto na Constituição Federal
